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Desempenho do ovo no primeiro mês de 2019

Nos primeiros dias deste ano, enquanto o consumidor paulistano gastava mais de R$5,00 para adquirir uma dúzia de ovos brancos (dados do Procon-SP), nas granjas do interior paulista o produtor recebia cerca de um quinto desse valor – o que significou retroceder a preços de 2015.

É verdade que no decorrer do mês essa verdadeira aberração foi sendo paulatinamente corrigida, chegando-se a registrar valorização de quase 57% entre o menor e o maior preço do período. Ainda assim, o ovo registrou no mês inicial de 2019 preço médio inferior não apenas ao dos 12 meses anteriores, mas dos últimos 48 meses. Quer dizer: inferior aos R$47,65/caixa de janeiro último só os R$44,15/dúzia de janeiro de 2015.

Não é uma situação confortável para o setor. Sobretudo quando se constata (vide tabela abaixo) que há pelo menos 13 meses o ovo não consegue igualar ou superar o valor registrado um ano antes. O pior é que iniciou novo exercício valendo, nominalmente, a metade do pico registrado há quase dois anos (abril de 2017), quando chegou a ser negociado, conforme o tipo do produto, por até R$100,00/caixa.

Essa citação, aliás, dá a oportunidade de demonstrar o quanto recuou a capacidade aquisitiva do avicultor em relação àquele momento. No mês citado, uma caixa de ovos, considerado o valor médio do período (pouco mais de R$91,00/caixa) adquiria 3 (três!) sacas de milho (então cotado a pouco mais de R$30,00/saca).

Como, agora em janeiro , o preço médio da saca de milho girou em torno dos R$41,00, o mesmo volume de ovos permitiu adquirir não mais que 38% do volume adquirível em 2017. Ou seja: em vez dos 180 kg anteriores, apenas 70 kg – 62% a menos.

O reinício paulatino do ano letivo (com a retomada da merenda escolar) deve minimizar a situação de penúria atual. Outro fator de expansão da demanda é o período de Quaresma. Mas esta, em 2019, só começa em 6 de março. Ou seja: só vai influenciar o mercado daqui a um mês.

Nesse meio tempo o setor terá que agir radicalmente para reverter as perdas atuais. Decorrentes, apenas, de um aumento de produção que – pelo menos no momento – extrapola todas as possibilidades internas e externas de consumo e obriga o produtor a descartar poedeiras ainda produtivas.

FONTE: AVISITE